Rio São Francisco
Localização e informações geográficas
O rio São Francisco, popularmente conhecido por “Velho Chico”, nasce na Serra da Canastra (Minas Gerais). Possui uma extensão de 2800 quilômetros e atravessa os estados de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas.
O rio São Francisco desemboca no Oceano Atlântico e possui vários rios afluentes em sua bacia hidrográfica: Abaeté, das Velhas, Paraopeba, Jequitaí, Paracatu, Verde Grande, Urucuia, Carinhanha, Corrente e Grande.
O São Francisco possui uma grande importância econômica na região por onde passa, pois, é usado para navegação (em alguns trechos), irrigação de plantações e pesca. Em função desta importância, existe um projeto do governo federal que pretende fazer a transposição do rio para que as águas possam atingir regiões que sofrem com a seca nordestina.
O rio São Francisco também é uma importante via de transporte de mercadorias na região. Os principais produtos transportados, em embarcações especiais, são: sal, arroz, soja, açúcar, cimento, areia, manufaturados, madeira e alguns minérios. Há também o transporte de turistas, pois o passeio pelo rio é muito procurado.
Curiosidade:
O rio São Francisco também é conhecido como rio da integração nacional.
Lixo no rio:
Desde sua nascente, o São Francisco sofre com um grave problema ambiental: despejo de lixo e esgoto urbano. Este tipo de ação pode provocar doenças e levar resíduos perigosos às águas, ameaçando a vida no rio e nas cidades ribeirinhas.
Com exceção de Itacarambi-MG, as mais de 15 cidades por onde esteve a Expedição Américo Vespúcio jogam seus detritos no rio. Na realidade, praticamente todos os 503 municípios que compõem a Bacia do São Francisco praticam este tipo de crime ambiental. Em certos pontos a sujeira trazida por tributários é o maior fator de poluição. O rio das Velhas, por exemplo, traz detritos desde Belo Horizonte para dentro do rio. Mesmo em cidades como Três Marias-MG, onde existe bom saneamento básico, muitas fazendas e casas ribeirinhas continuam a poluir diretamente o rio.
“Se pegássemos todas as garrafas de refrigerante que vimos boiando, seria possível construir uma enorme ilha flutuante”, afirma Ernesto Ferrante, um dos geólogos abordo da Expedição. Este tipo de fenômeno já foi observado pelo navegador Amyr Klink na costa brasileira e pode ser uma nova modalidade de catástrofe ambiental. Até Três Marias, o tipo de lixo mais comum são artigos de plásticos, esgotos e dejetos industriais.
A situação é ainda mais alarmante no Estado da Bahia. Em Xique-Xique, por exemplo, o porto é um dos lugares mais sujos da cidade. Além de funcionar como lixão, ali também deságua boa parte do esgoto local, sem tratamento. Para piorar, a captação de água para abastecimento da população é feita 100m rio abaixo, comprometendo a saúde dos habitantes.
O quadro é parecido em Carinhanha-BA, Barra-BA, Juazeiro-BA e na vizinha Petrolina-PE. Com o rio baixo, as dezenas de esgotos existentes são denunciados por uma planta conhecida na região como Baronesa, que cresce densamente nos curso desses córregos de sujeira. As indústrias também são fonte de problemas ambientais. Em Juazeiro, as praias do bairro Açari – tradicional reduto das lavadeiras e pescadores – foram praticamente inutilizadas por um curtume que funcionava no local.
Até hoje, por descaso político ou falta de recursos, nenhuma dessas cidades conta com programas eficientes para coleta de lixo e tratamento de esgoto. Tanto em bairros pobres, quanto nas áreas centrais, qualquer lugar serve de lixeira ou privada.
A esperança para revitalização do Velho Chico passa por um longo trabalho de conscientização dos ribeirinhos e educação ambiental. É necessária, também, uma mudança na mentalidade dos governantes regionais para garantir melhorias sociais e a realização de obras sérias e urgentes de saneamento básico.